AGRICULTURA FAMILIAR E SUSTENTABILIDADE MULTIDIMENSIONAL: EVIDÊNCIAS PARA A AGENDA 2030
Palavras-chave:
Agricultura familiar;, Agroecologia;, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Sustentabilidade multidimensional, AgrobiodiversidadeResumo
A sustentabilidade do sistema alimentar brasileiro está fortemente associada ao desempenho da agricultura familiar, segmento central no abastecimento de mercados locais e na manutenção de meios de vida rurais. Este estudo analisa como a agricultura familiar pode alavancar metas da Agenda 2030, com ênfase nos ODS ligados à produção de alimentos, ao uso responsável de recursos e à conservação de ecossistemas terrestres. Adotou-se revisão bibliográfica e documental (SciELO e repertórios institucionais), com análise temática dos achados em quatro eixos: (i) práticas agroecológicas e redução de insumos externos; (ii) conservação e uso da agrobiodiversidade; (iii) instrumentos e políticas de fomento; e (iv) arranjos produtivos e seus impactos socioambientais. Principais achados: (1) experiências de base agroecológica tendem a diversificar a produção, reduzir dependência de insumos sintéticos e elevar a resiliência produtiva, quando articuladas a canais de comercialização de proximidade; (2) a preservação de variedades locais e bancos de sementes fortalece segurança alimentar e serviços ecossistêmicos; (3) fomento estável—incluindo linhas temáticas e títulos verdes—viabiliza certificações, transição tecnológica e escalonamento de boas práticas; (4) cooperativismo, circuitos curtos e rastreabilidade agregam valor e melhoram inserção em mercados; (5) persistem gargalos de política, assistência técnica e financiamento, sugerindo a necessidade de governança territorial e continuidade de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural). Como contribuição prática, propõe-se um painel mínimo de indicadores (solo, uso de insumos, biodiversidade cultivada, desempenho econômico, reaproveitamento de resíduos e correspondência prática–metas dos ODS 2, 12 e 15) para monitorar resultados em unidades familiares e projetos de extensão. Conclui-se que a agricultura familiar pode operar como vetor de transição para sistemas alimentares mais justos e ambientalmente responsáveis, desde que políticas integradas, financiamento adequado e ações formativas sustentem a adoção e o acompanhamento de práticas inovadoras.
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